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semtripe

26 de Março, 2021

#Brasil

trips
Conheço muito pouco deste enorme país, mas talvez tenha começado pelo sítio certo: Porto Seguro, região onde outrora os portugueses desembarcaram pela primeira vez.
A viagem de 2006 começou logo com emoção na Portela. Depois de várias horas de atraso, com o avião já na pista prestes a descolar, ouve-se uma comunicação entre pilotos, supostamente em off: “o motor do lado esquerdo não está pegando”. Olhámos uns para os outros. Humm?!... Passados uns instantes, outra voz, agora para a cabine: “boa tarde, fala-vos o comandante, estamos com um problema técnico num motor, temos de ir ao hangar para reparar”. O avião saiu da pista, dirigiu-se em direção do hangar. Burburinho a bordo. Antes de lá chegar, ouviu-se de novo a voz que deveria estar em off: “Pegou! Podemos voltar à pista!” Depois oficialmente: “Srs passageiros o problema está resolvido, vamos posicionar-nos de novo para take off”. E lá fomos... também era só para atravessar o oceano, o que poderia correr mal, né? 😬🤞
Correu bem e tivemos uns belos dias de descanso a quatro (e um a caminho). Praia, alguma movida, e visitas, poucas. Exatamente na medida do que procurávamos. Um hotel confortável, no Arraial d’Ajuda, situado naquela língua de terra separada do centro de Porto Seguro pelo rio Buranhém, e virada, no outro lado, para o Atlântico. Cenário paradisíaco, que não consegui capturar devidamente em fotografia.
As opções eram simples: comida saborosa, piscina e praias bonitas (a do hotel e outras, como a dos Espelhos ou a do Mucugê), as idas ao centro da cidade de barco, duas excursões de jipe para vermos um pouco da região, e animação noturna, moderada, sobretudo no Arraial, sítio bem cool. Havia até um ditado por lá: "tá duro vá pra Porto Seguro, tá nervoso vá pra Trancoso, tá legal vem pró Arraial".
A subida do hotel para o centro do Arraial (aproximadamente 3 kms) era normalmente à “boleia” de uma carrinha alemã modelo pão de forma, por um real. A abarrotar. Perguntei “será que vai mesmo parar e meter mais essas moças?” [sim, evitei o termo rapariga] “Pior que vai!” respondia outra, já sentada quase ao colo de um desconhecido.
Houve várias aventuras linguísticas. Uma vez, depois do segundo ‘Oi?’ puxei do meu melhor sotaque telenovela para me fazer entender e a ‘garçonete’, já farta do gringo, desabafou ‘ah, fala português!’ Viva língua portuguesa, brindei! E VIVA MESMO, com todas as suas variantes, que a enriquecem e a tornam uma das línguas mais faladas no mundo!
Trancoso é outro “distrito” de Porto Seguro, onde tudo se concentra em torno do seu famoso “quadrado”, que na verdade é um retângulo, coberto de relva. É uma pitoresca praça com casas coloridas à volta, uma igreja num dos topos, cheia de miúdos a brincar no centro, entusiasmados com uma bola e balizas improvisadas (que já parecem permanentes). As baianas diziam-nos sorridentes “aqui é maravilhoso, a gente larga as crianças e as galinhas na rua de manhã, e recolhe de noite”.
Vida boa e muita alegria, na Bahía!
Registo ainda uma escala em S. Paulo, noutra viagem, que deu para ter uma noção da dimensão daquela cidade, que se sobrevoa durante alguns impressionantes minutos.
Regresso obrigatório a este país irmão, com tanto para oferecer, e onde tenho muita gente boa para (re)ver.